Como precificar produtos e serviços sem trabalhar no prejuízo
Publicado em 24 de agosto de 2026
A pergunta mais comum de quem começa é "quanto devo cobrar?". Copiar o preço do concorrente é o caminho mais rápido para o prejuízo, porque a estrutura de custos dele não é a sua. Precificar é uma conta — e é uma conta que qualquer pessoa consegue fazer.
Separe custo fixo, custo variável e despesa
Custo variável é o que só existe quando há venda: matéria-prima, embalagem, comissão, taxa da maquininha, frete. Custo fixo é o que você paga mesmo sem vender nada: aluguel, internet, energia mínima, mensalidade de sistema, seu pró-labore. Despesa é o que sustenta a operação sem entrar no produto, como material de escritório e anúncios.
Sem essa separação, todo cálculo de preço fica errado. Comece listando os fixos do mês e some tudo — inclusive o que você retira para viver.
A fórmula do preço de venda (markup)
O markup transforma custo em preço cobrindo despesas e margem de lucro de uma vez:
Preço = Custo variável unitário ÷ (1 − (%despesas + %impostos + %lucro desejado))
Exemplo: um bolo tem R$ 22,00 de ingredientes e embalagem. Suas despesas representam 15% do faturamento, os impostos 5% e você quer 25% de lucro. A soma dos percentuais é 45%, ou 0,45.
Preço = 22 ÷ (1 − 0,45) = 22 ÷ 0,55 = R$ 40,00
Cobrar R$ 30,00 nesse cenário parece competitivo, mas devolve prejuízo em cada venda. É por isso que "vender muito" às vezes vem junto com conta no vermelho.
Como precificar serviço por hora
Serviço não tem matéria-prima, tem tempo. O cálculo parte de quanto você quer ganhar por mês e de quantas horas realmente consegue faturar.
Digamos que você queira R$ 4.000,00 líquidos e tenha R$ 900,00 de custos fixos. São R$ 4.900,00 a cobrir. De 176 horas mensais, uma parte vai para orçamentos, deslocamento e administração — considere 60% produtivas, ou cerca de 105 horas.
Valor da hora = 4.900 ÷ 105 ≈ R$ 46,70 → acrescente impostos e margem
Com 5% de impostos e 20% de margem, a hora fica em torno de R$ 62,00. Um serviço de três horas com R$ 40,00 de material sai por aproximadamente R$ 226,00.
Ponto de equilíbrio: quanto você precisa vender
O ponto de equilíbrio mostra o faturamento mínimo para não ter prejuízo:
Ponto de equilíbrio = Custos fixos ÷ Margem de contribuição (%)
Se os fixos somam R$ 3.000,00 e cada real vendido deixa 40% depois dos variáveis, você precisa faturar R$ 7.500,00 no mês para empatar. Todo real acima disso é lucro. Saber esse número muda a forma de olhar para o mês.
Quando dar desconto — e quando não dar
Desconto sai da margem, não do custo. Se sua margem é 25% e você dá 10% de desconto, você está abrindo mão de 40% do seu lucro naquela venda. Prefira negociar em condições em vez de preço: prazo maior, brinde de baixo custo, pacote com mais itens, fidelidade na próxima compra.
Reveja os preços com frequência
Insumo sobe, energia sobe, tempo de deslocamento aumenta. Revise a planilha a cada três meses e sempre que um custo relevante mudar. Reajustes pequenos e periódicos são mais bem aceitos do que um aumento grande depois de dois anos parado.
Perguntas frequentes
Preciso incluir meu salário no custo? Sim. Pró-labore é custo fixo. Se ele não está na conta, o preço está errado.
E a taxa da maquininha? Entra como custo variável, no percentual real cobrado por bandeira e parcelamento.
Posso ter margens diferentes por produto? Pode e deve. Itens de giro rápido aceitam margem menor; itens exclusivos suportam margem maior.
Com os números na mão, o preço deixa de ser palpite. Registre custos e vendas no Prospera Negócios e acompanhe mês a mês se a margem que você calculou está realmente chegando ao caixa.

Robson Alan
Mentor e Ceo do Prospera Negócios
Mentor de empreendedores e fundador da Prospera Negócios. Acredita que tecnologia, educação financeira e divulgação local são os caminhos para transformar pequenos negócios em histórias de prosperidade.
Conteúdo produzido com base na experiência de atendimento a microempreendedores, autônomos e prestadores de serviço. Dúvidas ou correções? Fale com a gente pela página de contato.
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